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Sobrecarga e falta de profissionais levam cozinheiras e cozinheiros de Santo André a cobrar valorização e carreira

24 de ago.
4 min de leitura
Reunião comunitária em sala simples, homem fala à frente de público sentado em cadeiras vermelhas; banner Cuidar ao fundo.

Categoria relata adoecimento, problemas de infraestrutura e acúmulo de responsabilidades; Sindserv mantém cobrança por reclassificação, melhores condições de trabalho e avanços no plano de carreira


As cozinheiras e os cozinheiros que atuam na rede municipal de Santo André vêm denunciando uma rotina marcada por sobrecarga de trabalho, falta de profissionais, problemas de infraestrutura e adoecimento, ao mesmo tempo em que cobram valorização, reclassificação e avanços na carreira.


A situação foi detalhada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santo André (Sindserv) em agosto, em um episódio de seu podcast dedicado exclusivamente ao trabalho de quem prepara diariamente milhares de refeições para as crianças atendidas pela rede municipal.


A iniciativa deu visibilidade a uma categoria essencial para o funcionamento das escolas, mas que muitas vezes permanece distante do centro do debate sobre Educação.


Trabalho essencial vai muito além de preparar refeições


Todos os dias, cozinheiras e cozinheiros são responsáveis pela alimentação de milhares de estudantes.


O trabalho envolve organização dos alimentos, preparo das refeições, higienização, cumprimento de regras sanitárias e atendimento a necessidades específicas das crianças.


Segundo o relato apresentado pelo Sindserv, a rotina também inclui a preparação de dietas especiais, o que amplia a responsabilidade das profissionais e dos profissionais que atuam nas cozinhas da rede.


Essa função exige atenção, conhecimento das rotinas alimentares e condições adequadas de trabalho.


Quando faltam profissionais, a mesma quantidade de refeições precisa ser produzida por equipes menores, aumentando a pressão sobre quem permanece em atividade.


Falta de profissionais amplia sobrecarga


A falta de trabalhadoras e trabalhadores apareceu entre os principais problemas apontados pela categoria.


O Sindserv relaciona essa carência à sobrecarga e ao adoecimento das cozinheiras e dos cozinheiros. Também foram mencionados problemas de infraestrutura e questões relacionadas à jornada de trabalho.


A situação reforça que alimentação escolar não depende apenas da compra de alimentos.


É necessário garantir equipes em quantidade suficiente, equipamentos adequados, estrutura física e organização do trabalho compatíveis com a responsabilidade de preparar milhares de refeições diariamente.


Quando esses elementos falham, a consequência recai diretamente sobre as trabalhadoras e os trabalhadores.


Adoecimento também entra na discussão


O adoecimento da categoria foi outro ponto levantado no debate promovido pelo sindicato.


Sobrecarga, esforço físico, pressão da rotina e problemas estruturais podem interferir diretamente na saúde de quem trabalha.


Por isso, a valorização profissional não pode ficar restrita ao salário.


Ela envolve também condições adequadas nos locais de trabalho, quantidade suficiente de profissionais, equipamentos em boas condições e uma organização da jornada que preserve a saúde das servidoras e dos servidores.


A discussão conduzida pelo Sindserv ajuda justamente a transformar dificuldades vividas individualmente nas cozinhas em uma questão coletiva da categoria.


Reclassificação está entre as principais reivindicações


As cozinheiras e os cozinheiros também reivindicam reclassificação profissional.


A categoria busca um enquadramento compatível com as atribuições e responsabilidades desempenhadas diariamente.


Segundo o Sindserv, a entidade segue atuando pela reclassificação e pela valorização dessas profissionais e desses profissionais, além de cobrar melhores condições de trabalho e avanços na carreira.


A reivindicação faz parte de um movimento mais amplo conduzido pelo sindicato em Santo André.


Outras categorias do serviço público municipal também vêm cobrando reclassificação salarial e reconhecimento profissional, como recepcionistas hospitalares, psicólogas e diferentes funções da administração.


Isso mostra que a discussão sobre carreira e valorização ultrapassa uma única função e aparece como uma pauta importante para diferentes grupos de servidoras e servidores.


Plano de carreira precisa reconhecer responsabilidades


Além da reclassificação, a categoria também cobra avanços no plano de carreira.


Uma política de carreira pode estabelecer critérios de desenvolvimento profissional e reconhecimento das responsabilidades assumidas ao longo dos anos.


Para cozinheiras e cozinheiros, isso significa discutir não apenas remuneração, mas também perspectivas de evolução, valorização da experiência e reconhecimento das funções efetivamente exercidas.


O tema está diretamente relacionado à defesa de um serviço público em que as trabalhadoras e os trabalhadores tenham condições de permanecer, se desenvolver e exercer suas atividades com dignidade.


Alimentação escolar também é política pública


O trabalho realizado pelas cozinheiras e pelos cozinheiros integra uma política pública fundamental.


Para muitas crianças, a alimentação oferecida na escola representa uma parte importante das refeições do dia.


Garantir qualidade nesse atendimento depende diretamente das condições oferecidas às equipes responsáveis pela preparação.


A falta de profissionais ou uma estrutura inadequada não afeta apenas quem trabalha. Pode comprometer a organização do serviço e aumentar a pressão sobre toda a comunidade escolar.


Por isso, valorizar essas trabalhadoras e esses trabalhadores significa também fortalecer a Educação pública.


Sindicato amplia visibilidade de uma categoria muitas vezes invisibilizada


Ao dedicar espaço específico às cozinheiras e aos cozinheiros, o Sindserv trouxe para o debate público questões que nem sempre aparecem nas discussões sobre a rede municipal.


A categoria pôde falar sobre jornada, falta de profissionais, infraestrutura, adoecimento, dietas especiais, carreira e reconhecimento.


Esse tipo de atuação sindical é importante porque permite que problemas cotidianos deixem de ser tratados como situações individuais e passem a compor uma pauta coletiva.


A valorização de quem prepara diariamente a alimentação das crianças não pode depender apenas do reconhecimento simbólico da importância desse trabalho.


Ela precisa aparecer em condições adequadas, equipes suficientes, carreira, reclassificação e políticas permanentes de proteção à saúde das trabalhadoras e dos trabalhadores.


A mobilização das cozinheiras e dos cozinheiros e a atuação do Sindserv mantêm essas reivindicações visíveis e ajudam a pressionar para que um trabalho essencial ao funcionamento da rede municipal seja também reconhecido na estrutura de carreira e nas condições oferecidas pelo poder público.


Fontes: Sindserv Santo André – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santo André; publicações e registros sindicais relacionados às condições de trabalho, reclassificação e carreira das cozinheiras e dos cozinheiros da rede municipal. Consultas realizadas em agosto de 2026.

 
 
 

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