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Programa oferece bolsas no exterior com inscrições até 30 de setembro

há 6 dias
3 min de leitura

Mulheres negras, indígenas, quilombolas e ciganas que desenvolvem pesquisas acadêmicas têm até 30 de setembro de 2026 para participar da segunda edição da Chamada Pública Atlânticas – Programa Beatriz Nascimento de Mulheres na Ciência. A iniciativa oferece bolsas para a realização de parte de pesquisas de doutorado ou de projetos de pós-doutorado em instituições no exterior.


A edição de 2026 contará com investimento de R$ 4,92 milhões. Desse total, R$ 3,5 milhões são provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), R$ 950 mil do Ministério da Igualdade Racial e R$ 475 mil do Ministério das Mulheres. As bolsas deverão ser implementadas entre março de 2027 e dezembro de 2028.


A iniciativa integra políticas afirmativas destinadas a ampliar a participação de pesquisadoras negras, indígenas, quilombolas e ciganas na produção científica e nas redes internacionais de pesquisa. Além do período de estudos no exterior, o programa busca fortalecer a cooperação entre pesquisadoras brasileiras, universidades e centros de pesquisa de outros países.


Quem pode participar

A chamada é destinada a mulheres negras, incluindo mulheres pretas e pardas, mulheres indígenas, quilombolas e ciganas que atendam às condições previstas para cada modalidade de bolsa. As propostas devem estar relacionadas à realização de parte de pesquisas de doutorado ou ao desenvolvimento de projetos de pós-doutorado em instituições estrangeiras.


As bolsas são oferecidas nas modalidades Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Júnior (DEJ), Desenvolvimento Tecnológico e Inovação no Exterior Sênior (DES) e Pós-Doutorado no Exterior (PDE). Cada modalidade possui critérios próprios, por isso as interessadas devem verificar no edital qual corresponde à sua trajetória acadêmica e ao projeto que pretendem desenvolver.


Na modalidade DEJ, por exemplo, podem ser apoiadas atividades realizadas no exterior que integrem uma pesquisa desenvolvida no Brasil, incluindo aprofundamento teórico, coleta ou tratamento de dados e desenvolvimento de etapas da pesquisa. A chamada estabelece requisitos específicos para DEJ, DES e PDE, além da documentação necessária para a apresentação das propostas.


Ciência também precisa de políticas afirmativas

A Chamada Atlânticas parte do reconhecimento de que a ampliação da participação na ciência também depende de políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades históricas no acesso às oportunidades acadêmicas. Nesse sentido, o programa associa formação científica, cooperação internacional e políticas afirmativas.


A proposta é ampliar o acesso de pesquisadoras negras, indígenas, quilombolas e ciganas às oportunidades de formação e pesquisa no exterior, além de favorecer a criação de vínculos com universidades e centros de pesquisa estrangeiros. O programa também pretende fortalecer redes internacionais de cooperação acadêmica e contribuir para o desenvolvimento científico e tecnológico brasileiro.


A política ganha relevância também pela possibilidade de ampliar a diversidade de experiências, perspectivas e temas presentes nos espaços de produção científica. A democratização das oportunidades acadêmicas permite que grupos historicamente com menor presença nesses espaços tenham condições de ampliar sua participação na pesquisa e na construção do conhecimento.


Primeira edição contemplou 86 pesquisadoras

A primeira edição da Chamada Atlânticas foi lançada em 2024 e contemplou 86 pesquisadoras com bolsas de doutorado-sanduíche e pós-doutorado no exterior. Em 2026, o programa chega à segunda edição com diversificação das modalidades de bolsas oferecidas.


A continuidade da iniciativa contribui para transformar uma ação afirmativa em uma política capaz de produzir efeitos para além de uma única seleção. As pesquisadoras contempladas podem estabelecer novas redes de cooperação, desenvolver pesquisas em instituições estrangeiras e compartilhar posteriormente conhecimentos e experiências em universidades, instituições públicas e outros espaços de atuação no Brasil.


O nome do programa também preserva a memória de Beatriz Nascimento, referência intelectual para os estudos sobre a população negra, os quilombos, a memória e as relações raciais no Brasil. A presença de seu nome em uma política voltada à participação de mulheres na ciência aproxima memória, produção de conhecimento e políticas afirmativas.


Inscrições seguem até 30 de setembro

As inscrições para a Chamada Pública MCTI/CNPq/MIR/MMulheres/MPI nº 20/2026 começaram em 30 de junho e permanecem abertas até 30 de setembro de 2026. A página oficial do CNPq disponibiliza a íntegra da chamada e os documentos necessários para a submissão das propostas.


As interessadas devem observar atentamente as condições correspondentes à modalidade pretendida, os documentos exigidos e as etapas previstas no processo de seleção. As propostas passam por avaliação de mérito e pelos procedimentos estabelecidos para confirmação das condições de participação previstas pela política afirmativa.


Para o movimento sindical, divulgar oportunidades como essa também faz parte da defesa do acesso à educação, à ciência e ao desenvolvimento profissional. Servidoras públicas que atuam na educação, pesquisa, universidades, institutos e demais áreas e que atendam aos critérios da chamada podem encontrar no programa uma oportunidade para ampliar sua formação e desenvolver parte de suas pesquisas em instituições internacionais.


Fontes: CNPq, Ministério da Igualdade Racial e Ministério das Mulheres.

 
 
 

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