Sertãozinho avança no pagamento do “Descongela” após negociação entre sindicato e Prefeitura

Acordo aprovado pela categoria prevê pagamento retroativo dos direitos congelados durante a pandemia, com cálculo individualizado; medida foi construída em negociação com o Sindicato Regional dos Servidores Municipais
As servidoras e os servidores públicos municipais de Sertãozinho avançaram em 2026 na recuperação dos direitos congelados durante a pandemia. Depois de negociação entre o Sindicato Regional dos Servidores Municipais e a Prefeitura, foi formalizado um plano para o pagamento retroativo do chamado “Descongela”, relacionado ao período atingido pela Lei Complementar Federal nº 173/2020.
A proposta foi aprovada pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores em assembleia geral extraordinária realizada em 22 de abril e formalizada dois dias depois, em reunião com a administração municipal. O acordo prevê que os cálculos sejam feitos de forma individualizada, considerando a situação funcional de cada servidora e servidor.
O pagamento depende da legislação municipal necessária para sua execução, mas a negociação colocou Sertãozinho entre os municípios que decidiram enfrentar concretamente os efeitos do congelamento imposto durante a pandemia.
Direitos ficaram congelados durante a pandemia
Entre maio de 2020 e dezembro de 2021, a Lei Complementar nº 173 impediu a contagem de tempo para determinados direitos funcionais de servidoras e servidores públicos.
Esse período afetou vantagens relacionadas ao tempo de serviço e interrompeu a evolução funcional de milhares de trabalhadoras e trabalhadores em todo o país.
Com a aprovação da Lei Complementar Federal nº 226/2026, estados e municípios passaram a ter respaldo legal para regulamentar a recuperação desses direitos e, dentro das condições previstas em lei, discutir o pagamento dos valores retroativos.
Em Sertãozinho, a categoria e o sindicato levaram essa reivindicação diretamente para a mesa de negociação de 2026.
Assembleia aprovou proposta
O plano do “Descongela” não foi definido apenas pela Prefeitura.
A proposta passou pela assembleia das servidoras e dos servidores, realizada em 22 de abril, e integrou o conjunto de itens negociados pelo Sindicato Regional dos Servidores Municipais com a administração municipal.
Em 24 de abril, representantes sindicais se reuniram com o prefeito Zezinho Gimenez para formalizar os pontos aprovados pela categoria.
Segundo a Prefeitura, participaram da reunião o presidente do sindicato, Leandro da Silva, e o diretor Celso Luiz Gomes Martins.
A participação sindical foi importante para transformar uma possibilidade aberta pela legislação federal em uma negociação concreta no município.
Cálculo será feito caso a caso
Um dos pontos definidos no acordo é que o pagamento não será feito por um valor único para toda a categoria.
O cálculo deverá considerar a situação funcional de cada trabalhadora e trabalhador, levando em conta os direitos atingidos pelo período congelado.
A Prefeitura informou que o pagamento deverá ocorrer depois da aprovação das medidas necessárias pelo Legislativo e da apuração individual dos valores.
Por isso, é importante evitar a ideia de que todas as servidoras e todos os servidores receberão o mesmo montante.
Os efeitos dependem do tempo de serviço, da carreira e das vantagens funcionais de cada pessoa.
Negociação também garantiu reajuste e benefícios
O “Descongela” integrou uma negociação mais ampla entre sindicato e Prefeitura.
O acordo de 2026 também estabeleceu reajuste salarial de 5%, com aplicação prevista a partir de maio, além do aumento do auxílio-alimentação de R$ 900 para R$ 1.030.
Para aposentadas e aposentados, o auxílio-saúde passou de R$ 338,68 para R$ 370, com mudança na regra de reajuste anual para que a atualização ocorra na data-base da categoria.
Também foi acordada a antecipação da primeira parcela do 13º salário para julho.
Essa medida já foi efetivamente implementada: em 17 de julho, a Prefeitura confirmou o pagamento antecipado da primeira parcela, resultado de item negociado com a representação sindical.
Estatuto do Magistério continua em negociação
Nem todos os pontos da pauta foram encerrados.
O acordo prevê a continuidade das discussões relacionadas ao Estatuto do Magistério, indicando que ainda há reivindicações específicas da Educação que precisam avançar.
Isso reforça que a negociação coletiva não se encerra com a assinatura de um único acordo.
A categoria precisa continuar acompanhando tanto a implementação do “Descongela” quanto os demais compromissos assumidos pelo poder público.
Implementação precisa ser acompanhada de perto
O principal desafio agora é transformar o acordo em pagamento efetivo.
Até o fechamento desta matéria, as fontes públicas consultadas confirmam a formalização do plano, o cálculo individualizado e o compromisso de pagamento após a tramitação das medidas necessárias. Não foram localizadas, porém, informações públicas detalhadas que permitam afirmar que todos os valores retroativos já tenham sido pagos às servidoras e aos servidores.
Por isso, o acompanhamento deve se concentrar em alguns pontos:
conclusão dos cálculos individuais;
definição do cronograma de pagamento;
confirmação dos valores nos contracheques;
identificação de eventuais divergências;
garantia de que todas as pessoas abrangidas sejam contempladas;
continuidade das negociações sobre direitos ainda pendentes.
Esse acompanhamento é importante porque uma conquista só se consolida plenamente quando o direito negociado aparece concretamente na vida funcional e na remuneração das trabalhadoras e dos trabalhadores.
Organização sindical transforma direito em conquista concreta
O caso de Sertãozinho mostra a importância da negociação coletiva para transformar uma mudança na legislação federal em uma resposta concreta no município.
A Lei Complementar nº 226/2026 abriu a possibilidade de recuperação dos direitos, mas foi a mobilização da categoria, a deliberação em assembleia e a atuação do sindicato na mesa de negociação que colocaram o “Descongela” no centro do acordo municipal.
Agora, a mesma organização será necessária para acompanhar cada etapa da implementação e garantir que os cálculos e pagamentos respeitem os direitos de todas as servidoras e de todos os servidores abrangidos.
A recuperação do tempo congelado não é um benefício novo. Trata-se do reconhecimento de direitos interrompidos em um período excepcional. Fazer com que esses direitos retornem de forma efetiva é também uma forma de valorizar quem manteve os serviços públicos funcionando durante a pandemia.
Fontes: Sindicato Regional dos Servidores Municipais; Prefeitura Municipal de Sertãozinho; legislação federal relacionada ao “Descongela” e documentos públicos da negociação coletiva de 2026. Consultas atualizadas em agosto de 2026.





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