Falta de profissionais na Educação mobiliza sindicato e pressiona Prefeitura de Ourinhos por contratações

SINSERPO mantém cobrança por professoras e professores, equipes de limpeza e manutenção e reforço na Educação Especial; Prefeitura anunciou processo seletivo e novas convocações, enquanto categoria acompanha se medidas serão suficientes para atender a rede
A falta de profissionais na rede municipal de Educação de Ourinhos levou servidoras, servidores e o Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de Ourinhos (SINSERPO) a cobrarem da Prefeitura medidas para recompor as equipes das escolas e demais unidades educacionais.
A questão ganhou visibilidade durante mobilizações realizadas em maio e continuou nas negociações entre sindicato e administração municipal. Em reunião realizada em julho, contratação de professoras e professores, concurso da Educação Especial, equipes de limpeza e manutenção e falta de materiais nas escolas estiveram entre as principais reivindicações apresentadas.
A Prefeitura respondeu anunciando algumas medidas, entre elas a continuidade das convocações de pessoas aprovadas no concurso da Educação Especial e o andamento de processo seletivo para professoras e professores adjuntos. A administração também informou que avalia concurso público para reforçar limpeza e manutenção das unidades.
O desafio agora é acompanhar se essas providências resultarão em profissionais suficientes para atender às necessidades da rede e reduzir a sobrecarga de quem já está trabalhando.
Falta de profissionais chegou à mobilização da categoria
A discussão não começou em julho.
Em 12 de maio, a falta de servidoras e servidores na Educação de Ourinhos já havia alcançado repercussão regional. Reportagem da TV TEM registrou uma reunião entre sindicato e Prefeitura em meio às cobranças por contratações para a rede municipal.
Naquele período, escolas e creches também viviam manifestações e paralisações. A crise na Educação chegou à Câmara Municipal, que instaurou uma CPI em 11 de maio para investigar possíveis irregularidades, omissões administrativas e falhas na prestação dos serviços. Entre os problemas relatados estavam condições de limpeza e manutenção das unidades e reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores da Educação.
A mobilização ajudou a transformar problemas enfrentados cotidianamente nas unidades em uma discussão pública sobre estrutura, pessoal e valorização profissional.
SINSERPO levou contratações novamente à mesa
Em 22 de julho, representantes do SINSERPO, da Comissão de Professores e da Prefeitura voltaram a discutir as reivindicações do magistério municipal.
A pauta foi ampla: contratação de docentes, concurso para Educação Especial, falta de materiais, equipes de limpeza e manutenção, atribuição de aulas, reajuste salarial e regulamentação da Lei Federal nº 15.326/2026.
Durante a reunião, o secretário municipal de Administração, Leandro Moraes, informou que a Prefeitura daria andamento ao processo seletivo para contratação de professoras e professores adjuntos.
A Secretaria Municipal de Educação mantém, inclusive, uma área específica com orientações para contratação de docentes adjuntos em 2026, contemplando tanto profissionais que trabalharam na rede em 2025 quanto novos contratos.
A utilização de contratos temporários pode responder a necessidades imediatas, mas o acompanhamento sindical é importante para que soluções emergenciais não substituam uma política permanente de recomposição do quadro efetivo.
Educação Especial teve novas convocações
Uma das respostas mais concretas ocorreu na Educação Especial.
Em 8 de julho, a Prefeitura anunciou a convocação de oito professoras e professores de Educação Especial, aprovados em concurso público. A medida antecedeu a reunião de julho, na qual a administração afirmou que as convocações continuariam.
A ampliação dessas equipes é especialmente importante diante da necessidade de garantir educação inclusiva com profissionais em quantidade adequada e condições para atendimento das estudantes e dos estudantes.
Para a categoria, porém, permanece necessário acompanhar quantas vagas efetivamente existem e se as convocações serão suficientes para atender à demanda das unidades.
Limpeza e manutenção também preocupam
A falta de pessoal não está restrita às salas de aula.
Na reunião com o SINSERPO, a Prefeitura informou que estuda realizar concurso público para reforçar as equipes de limpeza e manutenção, além da possibilidade de contratação temporária para atender necessidades consideradas mais urgentes.
Essas trabalhadoras e esses trabalhadores são parte indispensável do funcionamento das escolas.
Uma unidade educacional depende não apenas de docentes, mas também das equipes responsáveis por limpeza, manutenção, alimentação, apoio e atividades administrativas.
Quando esses quadros estão incompletos, a consequência pode aparecer tanto nas condições de trabalho quanto na qualidade do serviço prestado à comunidade escolar.
Terceirização da Educação também merece acompanhamento
A discussão sobre recomposição do quadro ocorre em um momento no qual o município também adotou modelo de parceria com organização da sociedade civil para atividades na Educação Infantil.
Em abril, a Prefeitura publicou chamamento público com valor máximo global de R$ 14,89 milhões para selecionar organização responsável por atividades de apoio educacional e gestão operacional de unidades de creche e pré-escola, em regime de gestão compartilhada. Segundo o edital, a responsabilidade pedagógica permanece com a rede municipal.
Esse movimento torna ainda mais importante acompanhar quais funções serão preenchidas diretamente por concurso público, quais serão objeto de contratação temporária e quais atividades passarão a ser executadas por organizações parceiras.
Para as trabalhadoras e os trabalhadores, recompor equipes também significa discutir o modelo de serviço público que será construído no município.
Contratação precisa significar melhores condições de trabalho
A cobrança do SINSERPO evidencia que falta de profissionais não é somente um problema administrativo.
Equipes incompletas podem significar sobrecarga, acúmulo de tarefas e dificuldades para que servidoras e servidores desempenhem suas funções nas condições necessárias.
As medidas anunciadas pela Prefeitura, como processo seletivo para docentes adjuntos, continuidade das convocações da Educação Especial e possível concurso para limpeza e manutenção, representam respostas às demandas colocadas em discussão.
Agora será necessário acompanhar quantas profissionais e quantos profissionais serão efetivamente contratados ou nomeados, em quais funções e unidades e se essas medidas serão suficientes para enfrentar as carências existentes.
A atuação do SINSERPO e a mobilização das servidoras e dos servidores têm sido fundamentais para manter essas questões na mesa de negociação. Ao transformar problemas vividos nas escolas em reivindicações coletivas, a categoria amplia a pressão por soluções que valorizem quem trabalha e fortaleçam a Educação pública oferecida à população de Ourinhos.
Fontes: SINSERPO – Sindicato dos Servidores Públicos Municipais e Autárquicos de Ourinhos; Prefeitura Municipal de Ourinhos; Secretaria Municipal de Educação; Câmara Municipal e imprensa regional. Consultas realizadas em agosto de 2026.





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