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Campanha Salarial 2026: servidoras e servidores de Diadema mantêm reivindicações após reajuste aprovado sem acordo com o Sindema

21 de ago.
7 min de leitura
Grande grupo sorri e posa no 3º Congresso Sindema, em salão com piso azul e banner ao fundo.

Categoria rejeitou proposta da Prefeitura e realizou assembleias e paralisações; reajuste de 4,36% foi aprovado sem acordo sindical, enquanto alimentação, saúde, valorização das carreiras e outras reivindicações seguem na agenda de luta


A Campanha Salarial 2026 das servidoras e dos servidores públicos municipais de Diadema continua deixando questões importantes em aberto. Depois de assembleias, mesas de negociação e paralisações organizadas pelo Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema (Sindema), a Prefeitura encaminhou à Câmara Municipal sua proposta de reajuste salarial sem que houvesse acordo com a representação sindical da categoria.


A Lei Complementar nº 585/2026 estabeleceu reajuste dividido em duas etapas: 2,36% a partir de 1º de maio e outros 2% a partir de 1º de outubro, chegando a 4,36% pela soma nominal das duas parcelas. A segunda parcela, porém, ficou condicionada à apuração do limite prudencial da Receita Corrente Líquida previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal. A legislação estende os percentuais às aposentadas, aos aposentados e pensionistas que têm direito à paridade.


O resultado ficou distante da pauta aprovada pela categoria. O Sindema reivindicava 10% de reajuste salarial, composto por 3,81% de reposição da inflação medida pelo IPCA entre março de 2025 e fevereiro de 2026 e 6% de aumento real, com efeitos retroativos a março, data-base do funcionalismo.


Mas salário era apenas uma parte de uma pauta muito mais ampla. Alimentação, saúde, carreiras, pisos profissionais, concursos públicos, combate à terceirização e garantia de direitos também foram levados à campanha pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores.

Categoria construiu uma pauta ampla de valorização

A pauta da Campanha Salarial 2026 foi debatida e aprovada em assembleia geral convocada pelo Sindema em 14 de abril.

Além da recomposição salarial e do aumento real, servidoras e servidores reivindicaram reajustes no vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde, reclassificação de cargos, valorização das carreiras e cumprimento de direitos já previstos na legislação.


A categoria reivindicou vale-alimentação de R$ 852,87, tomando como referência o valor da cesta básica do Dieese em São Paulo em fevereiro, além do pagamento de dois vales para quem possui duplo vínculo.


Para o vale-refeição, a reivindicação foi de R$ 63,20 para todas as servidoras e todos os servidores, além da melhoria da qualidade e quantidade da alimentação oferecida nos refeitórios municipais.


No auxílio-saúde, a proposta sindical era elevar o benefício de R$ 133,40 para R$ 264.


Primeira proposta foi rejeitada por unanimidade

Quando a primeira proposta econômica da Prefeitura chegou à categoria, a resposta foi coletiva.


Em assembleia realizada em 5 de maio, servidoras e servidores rejeitaram por unanimidade a oferta do governo.


A proposta apresentada previa os mesmos 4,36% posteriormente encaminhados ao Legislativo: 2,36% em maio e 2% em outubro. Não havia reajuste para vale-alimentação, vale-refeição ou auxílio-saúde.


O Sindema argumentou que, além de não atender à reivindicação de aumento real, o parcelamento reduzia o efeito da recomposição porque a data-base da categoria é março.


A decisão de rejeitar a proposta não foi tomada apenas pela direção sindical. Foi deliberada em assembleia pelas trabalhadoras e pelos trabalhadores, preservando o papel da categoria na condução da própria campanha.


Mobilização levou servidoras e servidores às ruas e à Câmara

Diante da falta de avanço, o Sindema ampliou a mobilização.


Servidoras e servidores participaram de paralisações e ocuparam espaços de negociação e pressão política. Em 14 de maio, a categoria realizou paralisação e foi à Câmara Municipal. A mobilização ajudou a provocar uma nova rodada de diálogo envolvendo sindicato, governo e representantes do Legislativo.


Em reunião realizada em 19 de maio, com intermediação da Câmara, a administração manteve a proposta de 4,36% e não apresentou avanço nos benefícios reivindicados, segundo o boletim publicado pelo sindicato.


Naquele momento, o Sindema continuou cobrando reposição desde a data-base, aumento real e reajuste dos benefícios.


A organização da categoria foi fundamental para que a campanha não se resumisse à apresentação unilateral de um índice pelo Executivo. Assembleias, paralisações e presença na Câmara transformaram as reivindicações das trabalhadoras e dos trabalhadores em questão pública no município.


Reajuste foi enviado à Câmara sem acordo sindical

Sem consenso na mesa de negociação, o Executivo encaminhou o projeto de reajuste ao Legislativo.


O projeto foi apresentado em 21 de maio e resultou posteriormente na Lei Complementar nº 585, de 25 de maio de 2026. A norma foi publicada em 8 de junho.


O Sindema se posicionou publicamente contra a aprovação sem acordo com a categoria e destacou que nenhum reajuste havia sido concedido ao vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde.


Segundo os valores divulgados pelo sindicato naquele momento, o vale-alimentação permanecia em R$ 561,36, o auxílio-saúde em R$ 133,40 e o vale-refeição era de R$ 13,76 por dia, restrito às condições então vigentes para seu recebimento.


Para o sindicato, a aprovação sem acordo interrompeu a possibilidade de construir coletivamente uma solução para os itens econômicos da campanha.


Diferença entre o reivindicado e o aprovado

No salário, a distância entre a pauta da categoria e a legislação aprovada é objetiva.


A categoria reivindicou:

  • 10% de reajuste salarial;

  • 3,81% referentes à inflação do período;

  • 6% de aumento real;

  • efeitos retroativos a março de 2026.

A legislação estabeleceu:

  • 2,36% a partir de maio;

  • 2% adicionais a partir de outubro;

  • segunda parcela condicionada à apuração do limite prudencial previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal.


Além disso, a lei que tratou do reajuste salarial não reajustou os três benefícios econômicos que ocupavam posição central na pauta sindical: vale-alimentação, vale-refeição e auxílio-saúde.


Carreiras e valorização profissional também integram a luta

A pauta construída pelas servidoras e pelos servidores não se restringiu ao reajuste geral.


O Sindema reivindicou a reclassificação de agentes administrativos, agentes de controle de zoonoses, agentes fiscais e cargos de nível universitário, adequando referências salariais às atribuições e exigências atuais.


Também entraram na pauta o reenquadramento de cargos operacionais, administrativos e técnicos e a evolução funcional considerando o tempo de serviço público prestado ao município.


A questão das carreiras continuou produzindo mobilização mesmo depois da aprovação do reajuste.


Em junho, o Sindema divulgou a organização das trabalhadoras e dos trabalhadores de nível universitário em torno da recomposição salarial e valorização profissional. Mais recentemente, em 13 de agosto, o sindicato protocolou nova cobrança relacionada às progressões funcionais na Educação: segundo a entidade, mais de 50 profissionais aguardam pagamentos e valores retroativos, com pendências relatadas desde setembro e outubro de 2025.


Esse fato novo reforça que a valorização das carreiras permanece como uma frente concreta de atuação sindical em Diadema.


Pisos profissionais estão entre as reivindicações

A Campanha Salarial também incorporou demandas específicas de diferentes categorias.


Entre elas estão o cumprimento do Piso Nacional do Magistério, o pagamento do Piso Nacional da Enfermagem às profissionais e aos profissionais da ativa e às pessoas aposentadas com direito à paridade, além da aplicação dos pisos legalmente previstos para arquitetas, arquitetos, engenheiras, engenheiros e outras categorias profissionais abrangidas por legislação específica.


A inclusão desses pontos demonstra uma característica importante da pauta construída pelo Sindema: combinar reivindicações gerais do funcionalismo com demandas específicas das diferentes áreas do serviço público.


Combate à terceirização também entrou na campanha

Outra frente importante é a defesa do serviço público prestado diretamente pelo município.


A pauta aprovada pela categoria reivindica suspensão de novos processos de terceirização, construção de um plano gradual de desterceirização, convocação de pessoas aprovadas em concursos públicos vigentes e realização de novos concursos.


Também reivindica o fim das contratações temporárias nos termos defendidos pelo sindicato, a revogação da legislação municipal relativa às Organizações Sociais de Saúde e a realização de estudo sobre custos e qualidade dos serviços terceirizados.


Para as trabalhadoras e os trabalhadores organizados, discutir valorização do funcionalismo passa também por discutir qual modelo de serviço público o município pretende manter.


Direitos sociais e políticas afirmativas aparecem na pauta

A campanha também incorporou reivindicações que ultrapassam a remuneração.


Entre elas estão a garantia da redução da jornada para servidoras e servidores que tenham filhas, filhos ou dependentes com deficiência, nos termos reivindicados pelo sindicato, e o cumprimento da política de cotas nos concursos públicos, com transparência e acompanhamento dos dados.


A pauta ainda propôs a reserva de 10% das vagas disponíveis em programas habitacionais municipais para servidoras e servidores de baixa renda e sem moradia que atendam aos critérios de cadastramento.


Essas reivindicações ampliam a discussão sobre valorização para dimensões como inclusão, moradia, cuidado e igualdade de acesso ao serviço público.


Paralisações também produziram novo conflito

A campanha não terminou politicamente com a aprovação do reajuste.


Em julho, o Sindema informou que a Prefeitura havia descontado dois dias de paralisação realizados durante a Campanha Salarial 2026.


Segundo o sindicato, antes do fechamento da folha foi protocolado o Ofício nº 090/2026 solicitando reunião urgente da Mesa Permanente de Negociação Coletiva para discutir a compensação dos dias e a continuidade das negociações das reivindicações da categoria.


A entidade afirmou que chegou a propor a antecipação da reunião para permitir a construção de um acordo antes do fechamento da folha, mas não havia recebido resposta ao pedido naquele momento.


O episódio mostra que os efeitos da campanha continuaram sendo disputados mesmo depois da aprovação da lei salarial.


Campanha não se encerra com a aprovação de um índice

A aprovação do reajuste de 4,36% resolveu legislativamente uma parte da discussão econômica, mas não esgotou a pauta construída pelas servidoras e pelos servidores de Diadema.


Permanecem na agenda sindical reivindicações relacionadas a benefícios, carreiras, progressões, pisos profissionais, direitos funcionais, concursos, terceirização e outras condições que interferem diretamente na vida de quem trabalha no serviço público.


E fatos posteriores mostram que essa organização continua ativa. Em agosto, por exemplo, o Sindema voltou a cobrar formalmente o pagamento das progressões de profissionais da Educação.


A Campanha Salarial 2026 também evidencia a importância das assembleias e da negociação coletiva. A categoria construiu sua pauta, avaliou a proposta da Prefeitura, rejeitou-a em assembleia e participou de paralisações e mobilizações para defender suas reivindicações.


Mesmo com o reajuste encaminhado e aprovado sem acordo sindical, as trabalhadoras e os trabalhadores não deixaram de ter pauta porque uma lei foi aprovada. É a organização permanente da categoria, com o Sindema, que mantém essas reivindicações visíveis e pressiona para que salário, benefícios, carreira, direitos e condições de trabalho continuem sendo discutidos em Diadema.


Fontes: Sindema – Sindicato dos Funcionários Públicos de Diadema; Câmara Municipal de Diadema; Lei Complementar Municipal nº 585/2026; Diário do Grande ABC. Consultas realizadas em agosto de 2026.

 
 
 

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